Sobreviventes…

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Desconheço a autoria da imagem.

Nosso amor tem a resistência milenar
de uma rocha esculpida pelas águas do tempo.
É como um cavalo selvagem
percorrendo caminhos desconhecidos,
sedento pelos mistérios que ainda não descobriu.

O amor que te tenho é profundo,
como a pele verde do mar que reflete, de volta,
o verde infinito do meu olhar, quando você me sorri.

Naufragamos tantas vezes, quanto fomos impelidos
a respirar esse amor de novo e de novo.
Sobrevivemos um ao outro, porque nos amamos
acima de nossas imperfeições
e apesar de todos os limites.

Ainda somos…

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Desconheço a autoria da Imagem.

Uma noite inteira com um rio fluindo nos olhos. A íris tonta da tua imagem perfeita, flutuando às margens da imaginação. Feixes de memórias agitam o coração, enquanto a garganta sucumbe ao desejo de gritar todas as palavras não-ditas. Ainda somos essa intensidade perdida no olhar de um poeta? Aviso de tormenta: não quero te sufocar com o meu torpe amor. E, depois, quem senão tu, para acordar o dia nos meus olhos?

 

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Desconheço a autoria da Imagem.

A noite chega tingindo o horizonte de um pálido azul-doente. O sol se esconde e pequenas estrelas ensaiam um brilho tímido. Eu observo a paisagem, como se não pertencesse a ela, como se fosse um quadro na parede do tempo, distante e imóvel.

(Os olhos se inundam de lágrimas mansas, que não caem).

Então, percebo o quanto é bonito isso, de chorar por dentro, como se o que eu sinto fosse um rio que lentamente percorre o caminho que leva ao encontro do mar. Desaguar e me esquecer que toda ausência é um poema em silêncio. 

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Desconheço a autoria da Imagem.

E se me restar apenas a luz dos olhos teus,
me atreverei a sonhar tudo de novo.
Darei aos meus sonhos o teu nome
e os perfumarei com a cor do teu sorriso.
Construirei os mesmos castelos
e tomarei os mesmos caminhos,
porque tu estarás comigo.

Querido 2019…

2020

Imagem retirada do Google.

Festejei muito a sua chegada, há 1 ano, mas hoje me despeço com certa alegria, pois tenho a certeza de que, tanto eu quanto você, fizemos um bom trabalho (na verdade, fizemos o que deu pra fazer, né?): suportamos as merdas todas, as que fizemos e as dos outros, com paciência e humildade (ou quase! Não vá dizer que não tentamos!). Também bebemos muito, todas as nossas fraquezas e frustrações foram bem servidas. Claro, comemoramos os dias felizes, também com bebida da boa (estaria eu a um passo do alcoolismo?). De uma coisa não podemos reclamar: foi um ano de muitos porres (e podres). Mas, porra! Foi também difícil de superar algumas coisas.

A gente bem que tentou não sentir saudade, não se chatear, não chorar tanto por sonhos perdidos, mas não deu, né? Acabou que eu chorei, me irritei, me magoei muito e devo ter feito muita gente chorar e se irritar também. E tudo bem. Tu nunca prometeu que seria perfeito, né 2019? A gente também soube comemorar as coisas boas, colocando as músicas favoritas (são muitas), rindo alto, dançando feito doidos por aí, quando ninguém olhava. Tu foi um bom ano, eu diria… (é… estou de bom humor hoje, então, fique tranquilo). Não vou esfregar na sua cara todas as promessas não cumpridas.

Sei que fiz mais planos do que eu pude realizar, mas e daí? Todo mundo peca pelo excesso e eu sempre fui assim, um tanto descompensada na hora de desejar as coisas. De qualquer forma, fica aqui o meu último apelo: leve contigo todo mal que me fizeram, toda tristeza que senti, toda desesperança que ainda pesa no meu coração. Deixe que o novo ano me inunde de paz e alegria, de força e encantamento, de esperança e mais sonhos. Muitos mais! Eu quero e mereço tudo isso.

Adeus e obrigada.

P.S.: Sabe as raízes que você me deu? Estou trocando, de novo, por um par de asas…

Por que eu tenho que esperar?

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Desconheço a autoria da Imagem.

O dia nunca me prometeu mais do que o próprio dia e suas banalidades, e as expectativas me frustram, me ferem por dentro. Por que eu deveria ser luz a guiar teus olhos, se a noite me é escura e fria? Tanta saudade, moço, que chega a ser covardia. Promete, promete pra mim um milagre. Vista em teu corpo a minha paisagem e viaje. Percorra-me em segredo. Consagra teu silêncio aos meus lábios. Forasteiro que és, te deixo vagar pelas planícies das minhas costas, sem rumo, sorrateiramente. Então, me diz: por que eu tenho que esperar, se te adorar é tão urgente?

 

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Desconheço a autoria da Imagem.

Passeio por uma estrada estreita, que dizem ser a minha vida. Mas eu não escolhi esse trajeto, inteiramente. Escolheram-no por mim, puseram meus pés para andar sem pausa e, desde então, sinto que caminho em círculos. Insatisfeita com muitas coisas, eu tive que aprender a sorrir, quando a vontade mesmo era de gritar e me desfazer em lágrimas. As poucas pessoas que amei, me fizeram chorar. Faz parte, disseram alguns. O tempo segue seu curso, mas eu não segui. Eu fiquei, feito árvore plantada no meio do caminho, que atrapalha a passagem, que tapa a visão de quem passa por mim e quer ver além…

Disseram-me, um dia, que eu existo, mas poucos são os que conseguem realmente me ver. Talvez o meu instinto bicho me torne invisível. Quase sempre é perigoso viver, então, quase sempre eu finjo que resisto. Passo grande parte do tempo plantando flores e me lavando das sujeiras a que me submeto. Mas nunca me sinto limpa o suficiente, o que me faz invejar os porcos. Eles não se incomodam com a imundície a que estão sujeitos e parecem felizes no meio disso. As aves me fascinam mais. Queria alcançar os céus, mas tenho raízes profundas, as quais me afeiçoei.

Olhar o céu me fascina, pois me sinto parte de algo muito maior do que a minha mísera existência. Faz-me parecer pequenamente importante, diante dos olhos do mundo. Considero que viver é uma viagem que ora demora a chegar, ora se chega muito depressa, nos fazendo perder a paisagem mais bonita. E eu perdi tantas! Algumas pessoas me tomam por impaciente, mas não percebem o meu canto lento e solitário. Canto, este, que eu mesma compus ao som do silêncio dos dias, que demoraram meses para passar.

Tenho uma paciência nata, dessas de colorir nuvens com a ponta dos dedos e depois dar a elas nomes inventados. Às vezes, penso que carrego comigo o peso de milhões de almas pacientes que, como a minha, trazem em si o peso do cotidiano embrutecido e dos sonhos perdidos. Por fim, descubro que viver é mesmo isto: pertencer a essa monotonia necessária e, ainda assim, sorrir, como se fosse perfeita essa felicidade inventada.

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Desconheço a autoria da Imagem.

Um dia hei de escrever
sobre a memória desses dias,
como um ajuste de contas.

Porque agora,
agora eu não existo.
Chove demais em mim,
no que eu sinto.

O que me cabe agora
é sentir essa descompensação absurda,
esse cessar de lágrimas insistentes,
a difícil tarefa de engolir o orgulho
como se engole o soluço (doce e manso).

Agora, resta-me esse não ser
enquanto ainda sinto que tudo sou,
esse me encontrar estando invisível
para os meus próprios olhos.

Resta-me, agora, um deserto,
algumas dúvidas e um punhado de medos
embaraçando os meus cabelos,
roendo as minhas unhas.

E chove…
(chove muito no que eu sinto).

Relicário…

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Desconheço a autoria da Imagem.

Vivia com os olhos grudados no chão. Nasceu assim, meio cega para as coisas óbvias da vida. Tinha uma mania triste de esmagar flores em livros, guardando-as como relíquias dos dias idos. Aprendeu com esse exercício torpe que perfume não se aprisiona, nem nos livros, nem nos sonhos. É como o amor…