Tu…

Jan Saudek1

Jan Saudek

Deita tua solidão no meu peito
e acolhe a minha saudade.
Ouça, também, o meu silêncio
que diz de todo o meu amor…

Tu, que és verbo e hemorragia,
essa sangria que não passa,
que não sara e que me custa
todo o meu sossego…

Tu, que és a criação de Eros,
a espera além da espera,
o pouso e as asas, depois do voo,
todo o meu desejo em flor.

Tu: meu único e infinito amor…

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Desconheço a autoria da imagem.

Ensina-me a ser
sem ter-te aqui
tão perto do peito,
este céu branco
em pleno voo aberto…

Ajuda-me a viver
– posto que já desisto –
depois de ter tido
todos os dias vividos
ao pé do teu sorriso.

Habita de novo
o fundo dos meus olhos
e faça brotar das mãos
um jardim de esperanças…
É tudo o que eu preciso!

 

Hoje, não…

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Desconheço a autoria da imagem.

Hoje, não.
Pode ser qualquer outro dia
eu não me importo,
mas hoje, não.

Hoje eu só quero ficar perdida
entre um pensamento e outro,
beber um café forte
e ouvir algumas canções antigas.

Hoje, não.
Eu preciso me esquecer
das dores do mundo
e me concentrar apenas
nas minhas… são tantas!

(Você já teve
a consciência exata
da sua dor?
É um estranhamento
necessário…)

Hoje não dá.
Quero deixar o dia
passar lento por mim
(minuto a minuto)
para compreender melhor
a nomenclatura do fim.

Hoje, não!
Eu tenho que esperar
o momento preciso
em que o sol vai se pôr
em mim. Depois, nada!

Não consigo mais
fazer planos sem você aqui…

Te inventei numa canção…

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Prince K.

Meu bem, meu bem…
A água da chuva no telhado
é o que dá nome aos sons do mundo.
A estrada sumindo no reflexo do olho
diz mais de quem fica à beira do caminho
esperando alguém voltar.

Só a garganta adivinha o tamanho da sede.
Só a solidão sabe compor saudades.
Só o choro lava, de verdade, o fundo da alma.

Meu bem, quando chove,
me esqueço de quem sou.
Mas todo poeta mente,
quando sente falta
de um grande amor…
Ao poema só posso oferecer
o teu nome em chamas.

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Desconheço a autoria da imagem.

Desinventar as estradas
que vão dar direto no teu peito.
Dividir a palavra abraço
até que ela caiba, miúda,
em uma só sílaba estática.
Reter nos lábios o verbo amar
e nomear o teu sorriso
com outro nome: espinho,
fenda, abismo, dor?
Perdão, amor.

Não sei falar outro idioma
quando teus passos
se distanciam dos meus…

Em mim…

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Desconheço a autoria da imagem.

Posso escolher partir
e, mesmo assim, você estará comigo:
no doce canto do pássaro,
nas primeiras horas do dia;
na minha forma de observar o mundo;
no pouco de esperança que carrego;
nas fagulhas do tempo – que passa lento
quando você não está comigo;
nas canções que são nossas
e em tudo o que compartilhamos.

Você está em mim, no sorriso manso
que trago no rosto, pela certeza
do reencontro… Eu vou embora, de novo,
mas você, você sempre fica em mim.

Sobreviventes…

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Desconheço a autoria da imagem.

Nosso amor tem a resistência milenar
de uma rocha esculpida pelas águas do tempo.
É como um cavalo selvagem
percorrendo caminhos desconhecidos,
sedento pelos mistérios que ainda não descobriu.

O amor que te tenho é profundo,
como a pele verde do mar que reflete, de volta,
o verde infinito do meu olhar, quando você me sorri.

Naufragamos tantas vezes, quanto fomos impelidos
a respirar esse amor de novo e de novo.
Sobrevivemos um ao outro, porque nos amamos
acima de nossas imperfeições
e apesar de todos os limites.

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Desconheço a autoria da Imagem.

E se me restar apenas a luz dos olhos teus,
me atreverei a sonhar tudo de novo.
Darei aos meus sonhos o teu nome
e os perfumarei com a cor do teu sorriso.
Construirei os mesmos castelos
e tomarei os mesmos caminhos,
porque tu estarás comigo.

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Desconheço a autoria da Imagem.

Um dia hei de escrever
sobre a memória desses dias,
como um ajuste de contas.

Porque agora,
agora eu não existo.
Chove demais em mim,
no que eu sinto.

O que me cabe agora
é sentir essa descompensação absurda,
esse cessar de lágrimas insistentes,
a difícil tarefa de engolir o orgulho
como se engole o soluço (doce e manso).

Agora, resta-me esse não ser
enquanto ainda sinto que tudo sou,
esse me encontrar estando invisível
para os meus próprios olhos.

Resta-me, agora, um deserto,
algumas dúvidas e um punhado de medos
embaraçando os meus cabelos,
roendo as minhas unhas.

E chove…
(chove muito no que eu sinto).

Não sei…

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Desconheço a autoria da imagem.

E, de repente, tudo ficou assim
perdido em um tempo vazio…

Já não sinto vontade de te pertencer,
nem de comungar do teu corpo.
Não tenho delírios, nem arrependimentos.
Não desejo ficar, nem tenho ímpetos de partir.
As coisas estão em um estado de paralisia.

Adormecidos os sentimentos,
não me causam mais dor
nem descontentamento. A tua imagem
é o mesmo que uma sombra,
vagando sem destino nas poucas lembranças.

Não distingo teus olhos,
nem sei mais se me sorris.