Carta

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“A um amor que não existiu
senão nos meus sonhos…”

       Eu devia começar perguntando como você está, o que tem feito na minha ausência, ou, sei lá, se está melhor sem mim. Mas que bobagem, não é mesmo? Vou direto ao assunto, porque compreendi que contigo as coisas precisam ser mais diretas e um tanto brutas. Eu nunca vou conseguir te perdoar pela forma estúpida com que você me tirou da sua vida. Sim, você me arrancou da sua vida como se faz a uma planta que ingenuamente estabeleceu suas raízes firmes em um solo ingrato. Eu nunca vou compreender o motivo de tanta raiva.

       Por que você apenas não foi embora, como das outras vezes, quando me virava as costas e partia? De onde veio essa necessidade mórbida de me desferir palavras tão cruéis e vazias de significado para mim. E tudo o que me vem à mente é que não havia amor. Talvez nunca tenha sido amor para você. E tudo bem, sabe? Eu nem sei mais quem é você ou se um dia eu realmente soube quem você era. E se antes o que me movia era a saudade, hoje, o que me desperta todas as manhãs é um imenso arrependimento por tê-lo deixado entrar em minha vida.

      Por que diabos eu fui entregar meu coração a um completo desconhecido? Como pude acreditar que você era gentil e que se importava comigo, que seria cuidadoso com o que eu sentia? Ingenuidade minha, eu sei, afinal, você me alertou tantas e tantas vezes que você não era essa pessoa incrível que eu via. Você me avisou nas entrelinhas, estava tudo lá. A indiferença nas palavras, quando eu mais precisava de ti, e o silêncio quando tudo o que eu queria era te ouvir me contar do seu dia.

       Ficou aquela sensação ruim de que eu não fiz parte de nada, afinal. Eu era só uma válvula de escape para os dias de tédio, não era? Sim, eu era. E agora eu sei que o amor tem muitas faces, mas que nenhuma delas se parece com a sua. E esse pensamento me fez perceber o quanto eu fui tola por acreditar que tínhamos algo especial. Será que todo amor, afinal, é isto: falsas ilusões, expectativas não alcançadas, sonhos enterrados e aquele maldito gosto amargo de arrependimento?

       Eu queria terminar essa carta dizendo que eu te odeio, por tudo o que fez comigo, mas eu jamais conseguiria ser como você. Então, eu vou terminar dizendo que mesmo depois de tudo o que você me fez sofrer, guardo de ti os sentimentos mais bonitos. E é por isso que eu não quero mais existir…

2 thoughts on “Carta

    • Oi, Bia… 🙂
      Concordo com a regra! rs
      É só um texto… não se preocupe comigo. A carta é só uma representação de muitas relações por aí que não dão certo e que terminam da pior forma possível.
      Obrigada pela presença… abraço ❤

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