Do que é efêmero…

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Desconheço a autoria da Imagem

Enquanto tomava seu café amargo pensou na fragilidade da vida. O tempo a tudo transforma em sonho e o sono é passageiro. Irritou-se com a fugacidade das coisas. Já pressentia o porquê de, nos últimos dias, as manhãs acordarem sem cor. A natureza celebrava sem graça cada novo dia que rompia num quase choro silencioso de pássaros pelo ar. O mundo continuava sua marcha veloz, os carros nas ruas, os bancos lotados, as pessoas sem rumo, pra lá e pra cá, numa rotina incansavelmente tola. E ela só pensava nas sementes que não iam mais brotar, no curso que a água deixava de tomar, na brutalidade dos dias sem aqueles que amamos à nossa volta. E o mundo não para! E temos que fingir que não vemos que tudo se desfaz num piscar de olhos, enquanto alimentamos com migalhas de alegria os pássaros famintos que nos corroem o estômago. Depois de sentir o gosto amargo do dia, chegou à conclusão de que, no final, tudo acaba mesmo em saudade. Saudade que só o tempo há de amenizar com as suas brutas e ásperas mãos. Mas o tempo, o tempo é sonho, e o sono é pouco.

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